Eles não usam Black-tie
- Written by Manoel Pimentel
- 29/02/2012 at 18:19
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Uma reflexão sobre o antigo conflito entre gestores e executores.
Não é possível datar quando isso começou, tampouco se pode apontar uma única razão que motiva essa situação, mas o fato é que, na maioria das empresas, os gestores e executores (desenvolvedores) não se “misturam”.
A questão é um pouco delicada, pois essa postura não somente acontece por parte de um dos lados, mas sim, os dois lados são responsáveis por essa certa “segregação de classes”.
Na verdade somente o fato de existir esse conceito de “lados diferentes”, infelizmente já mostra um grave problema na relação entre executores e gerentes.
Como em toda dicotomia, cada uma das partes acredita que há diferenças entre elas e que cada uma delas é melhor do que outra. Outro aspecto tenebroso é que ambas acreditam piamente que o seu papel é o mais vital para o negócio. É corriqueiro ouvir de um executor algo como: “Meu trabalho é uma arte… esse gerente só serve para atrapalhar meu trabalho”. Já de um gerente é comum ouvir coisas como: “Esses executores são apertadores de parafuso, não conseguem entender sistemicamente como funciona o negócio da empresa”.
Obviamente essa questão transcende as paredes corporativas, pois ela deriva de uma visão social e econômica que as pessoas tem acerca de suas carreiras e profissões.
Hoje já existem pessoas que reconhecem que essa divisão não é saudável. Contudo, esse mesmo sentimento faz com que um número enorme de pessoas acreditem em meios radicais para “combater” essa segregação. É comum pessoas imaginarem que o ideal seria não haver gerentes, já que para essas pessoas o trabalho dos gerentes é totalmente desnecessário. Por outro lado, existem aquelas pessoas que imaginam que o trabalho de execução deve ficar cada vez mais longe do cotidiano de um gerente e que o mesmo não deve se contaminar com os detalhes do trabalho dos executores.
Enfim, pode parecer um tanto quanto piegas o discurso de igualdade entre as “classes”, ou então pode parecer impossível o sonho que a sociedade elimine o conceito de “classes” para estirpar as diferenças presentes em nosso cotidiano. Contudo, mesmo que na esfera social isso seja uma utopia, é possível pelo menos tornar mais agradável o convívio das pessoas dentro das empresas. De forma que as “partes” consigam entender que mesmo sendo diferentes, ou tendo tipos de trabalho diferentes, é possível usar a sinergia para criar meios de trabalho melhores, que possam também gerar resultados melhores para todos.
Sinergia significa que essas partes só fazem sentido juntas. Isso quer dizer também que o limite é tênue sobre até aonde vai o gerenciamento e aonde começa a execução. Na verdade, usar a estratégia de separação da gestão e execução é algo conceitualmente demodê e totalmente dispendioso na prática.
No frigir dos ovos, o que um executor realmente ganha ao ser gerenciado por alguém? Se ser gerenciado significa o ato de ser controlalado, talvez o ganho não seja tão saudável. Mas se ser gerenciado ganhar uma conotação de ter alguém para compartilhar medos e incertezas, ter alguém que em algum nível, seja um mentor ou simplesmente ter alguém preocupado com o meu desenvolvimento como forma de gerar melhores resultados para o todo, talvez seja possível sentir os ganhos sistêmicos de ser gerenciado.
O desejo presente nesse texto, é que as pessoas (gerentes e executores) revisitem seus conceitos e comportamentos diários, para que seja possível melhorar a forma que todos se relacionam no ambiente de trabalho (e social também).
Foi feita também uma alusão à peça de 1958 chamada “Eles não usam Black-tie” de Gianfrancesco Guarnieri (Teatro de Arena). Essa peça que mais tarde, em 1981, virou também filme, aborda com maestria os conflitos diretos e indiretos das lutas de classe. Por isso, vale a pena revistar esse material como fonte de reflexão e mudanças para as nossas vidas.
Referências:Trechos do documentário: Cinema e Política – Eles Não Usam Black-tie Parte 1
Trechos do documentário: Cinema e Política – Eles Não Usam Black-tie Parte 2
Wiki sobre o tema Eles não usam Black-tie
Sobre o autor:
Manoel Pimentel Medeiros (@manoelp) – Empreendedor e Coach com mais de 15 anos de experiência na área de TI, onde atuou com executivos e times de ambientes organizacionais de Consultorias, Bancos, Financeiras e Telecom. É Diretor Executivo do ICA-TI (Instituto de Coaching Aplicado a TI) e da RS Franchising Gestão de Marcas, onde continuamente desenvolve novos modelos de negócios, novos produtos e novos serviços.
É o fundador da Revista Visão Ágil e do Blog MeCoBiz. Já escreveu sobre Agile e Coaching para portais e revistas do Brasil e exterior. Palestrou em eventos nacionais e internacionais sobre agilidade. Foi um dos pioneiros na utilização e divulgação de métodos ágeis no Brasil. É cocriador da Academia do Agile, ajudou a criar o InfoQ Brasil, foi um dos coordenadores do TDC (The Developers Conference>) em diferentes edições, foi coorganizador do Àgiles 2009 e membro da organização de todas as edições da conferência Agile Brazil.
E muito mais do que ter um punhado de certificações e títulos, Manoel é criador e socializador de conceitos e ferramentas como TAE (Teoria da Alavancagem Estrelar), Manifesto for Meta-Agile, Coaching para Metalhoria, MVI (Minimum Viable Improvement), BFF – Balloon Force Field, Rodeias (Roda de Idéias) e AgileMMA (Agile Mixed Methodologies Adoption).
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Muito bom
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